Ele passou na OAB aos 18. Foi para Harvard. Largou tudo para fundar uma startup. Agora ela vale R$ 7 bilhões.

6/2/2026

aerial view of city buildings during night time
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Ele passou na OAB aos 18. Foi para Harvard. Largou tudo para fundar uma startup. Agora ela vale R$ 7 bilhões.

Eu adoro histórias de fundadores. Não aquelas historinhas bonitinhas de LinkedIn, com frases motivacionais e lições de liderança. Eu gosto das histórias de verdade. Das histórias que não fazem sentido. Das trajetórias que ninguém planejou.

A história do Mateus Costa-Ribeiro é uma dessas.

Mateus se tornou o advogado mais jovem do Brasil aos 18 anos. Passou na OAB. Dezoito anos. Eu com 18 anos mal sabia amarrar o cadarço direito. Ele já estava advogando.

Depois foi para Harvard Law. Passou na ordem de Nova York aos 20. Ganhou bolsa integral para um MBA em Stanford. O cara tinha o caminho perfeito. Escritório de advocacia de elite. Salário astronômico. Vida resolvida.

E ele largou tudo.

Em 2023, Mateus fundou a Enter. Uma startup de IA focada no mercado jurídico. Três anos depois, a empresa acaba de levantar 100 milhões de dólares. Valuation? 1,2 bilhão de dólares. Mais de 7 bilhões de reais. O primeiro unicórnio de IA da América Latina.

O que a Enter faz? Agentes de IA que cuidam de processos judiciais. Processos de verdade. Da descoberta de provas até a redação de defesas, passando pela recomendação de acordos. A IA faz o trabalho pesado. O advogado humano revisa. E o volume é absurdo.

O Brasil tem quase 80 milhões de processos ativos. Oito vezes mais que os Estados Unidos. O Judiciário brasileiro é um dos maiores e mais complexos do mundo. E a Enter está no meio dele, processando mais de 250 mil novos casos por ano.

Os clientes? Itaú. Santander. Mercado Livre. Nubank. Airbnb. Não são pequenos. São gigantes. E eles estão apostando em IA brasileira.

O que mais me impressionou foi outra coisa. A Enter repatriou mais de 15 profissionais que estavam nos Estados Unidos e na Europa. Brasileiros brilhantes que estavam no Google, na Meta, no Goldman Sachs. Eles largaram carreiras internacionais para voltar. Para trabalhar em São Paulo. Porque perceberam que o negócio mais interessante de IA jurídica do mundo está aqui.

A Founders Fund liderou a rodada. A Sequoia entrou. A Ribbit Capital também. Investidores do Vale do Silício olhando para São Paulo e pensando: o futuro está aqui.

Mateus disse uma frase que me grudou na cabeça. Ele falou que o melhor talento para resolver um problema é o talento que está mais perto dele. Não adianta importar soluções prontas dos EUA. O sistema jurídico brasileiro é único. As dores são únicas. A solução tem que ser brasileira.

Isso me anima de um jeito que eu não sei explicar. Não é sobre copiar o Vale do Silício. É sobre construir algo nosso. Algo que resolve problemas nossos. E que, de quebra, vale bilhões.

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